Resolvi colocar um poema que escrevi quando decidi superar minha paixão platônica.
Na superfície há calmaria, o protótipo da paz.
Mas nas profundezas algo me agita e angustia,
nisso encontro meu refúgio.
A face lisa e o sorriso falso são vazios, ocos de vida.
Quero gritar, sofrer, chorar, morrer de amor.
Não quero um sorriso polido; quero a gargalhada
desenfreada.
Quero viver
Simples assim
Simplicidade é levar à superfície o mais profundo
sem medo.
Paz não é a constante calmaria,
isso seria a morte.
Paz é viver, e a vida é intensa.
Meu amor por ti foi o sentimento mais intenso.
Mas agora quero guardá-lo bem no fundo.
Como uma brisa que já não agita meu mar,
como um retrato antigo do fundo da minha alma.
Talvez assim eu possa navegar em outras águas.
Renata
Catando os cacos do caos
Uma tentativa de expor minhas idéias e sentimentos, de mostrar pequenos "cacos" de mim. Cacos que tratam de coisas que escrevo, poesias, besteiras, política e etc (uma verdadeira miscelânea)
terça-feira, 6 de março de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
1º Fórum Mundial de Bicicleta
Hoje é o penúltimo dia do 1º Fórum Mundial de Bicicleta. O Fórum aconteceu um ano depois de um grupo de ciclistas do Massa Crítica ser atropelado. A data de realização do Fórum foi escolhida justamente por ser o aniversário dessa tragédia.
É claro que esse triste acontecimento foi um catalizador na organização de debates sobre o espaço das bicicletas na cidade, mas há muito tempo a falta de estrutura e de conscientização dos motoristas em relação aos ciclistas exigia discussão. Parabéns aos organizadores! Esperamos que dessas discussões saiam soluções para que andar de bicicleta deixe de ser um perigo constante (eu, por exemplo, não tenho coragem de usar a bicicleta como meio de transporte).
É claro que esse triste acontecimento foi um catalizador na organização de debates sobre o espaço das bicicletas na cidade, mas há muito tempo a falta de estrutura e de conscientização dos motoristas em relação aos ciclistas exigia discussão. Parabéns aos organizadores! Esperamos que dessas discussões saiam soluções para que andar de bicicleta deixe de ser um perigo constante (eu, por exemplo, não tenho coragem de usar a bicicleta como meio de transporte).
Eu quero uma casa no campo, meus discos, meus livros e nada mais?
Nesse carnaval fui com alguns amigos para Riozinho. A cidade é minúscula tem aproximadamente 4.000 habitantes. E o melhor de tudo é que a agitação do Carnaval não passou por ali. Para completar nosso retiro carnavalesco, acampamos no sítio de um casal que mora no topo do morro. Quando eu vi a casa, a vista maravilhosa e, principalmente, depois de sentir o clima de serenidade, fiquei com uma vontade de largar a cidade e ir morar no campo. Já fiquei me imaginando em um sítio com uma grande quantidade de gatos e cachorros e sem ter que me preocupar se minhas plantas estariam grandes demais para caber em casa. Já pensou, não ter que montar um quebra-cabeça para organizar os móveis nem ter que aguentar síndicos ou vizinhos chatos? Poder plantar chás e hortaliças? Ter os ingredientes de uma refeição ao lado de casa?
| Foto do lugar. A vista não é maravilhosa? |
Todas essas questões passaram pela minha cabeça logo que cheguei ali. Mas nada como viver alguns dias no lugar que idealiza para ver os problemas, não acham? Como um ser urbano tive sérios problemas com os bichos. Houve uma verdadeira guerra contra os mosquitos!! Como esses bichos pequeninos podem trazer tanta irritação? Mesmo armada de repelente e matando vários desses pequenos inimigos, fui bombardeada por picadas que ficaram vermelhas e inchadas!
Contudo os mosquitos são um detalhe. A cidade também tem suas pragas (barata, rato..). No campo eu poderia ter meus livros e discos, mas também gostaria de ir ao cinema, ao teatro, às vezes a um show. Pois é.. às vezes dá vontade de largar a cidade, o ambiente cinza, a poluição, o cenários de miséria que estão em cada esquina, mas a vida cultura da urbe me faz ter vontade de ficar. Acho que ainda vou tentar um meio termo.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Crianças, consumismo e televisão
Estava lendo o livro “Vida Liquida” de Zygmunt Bauman na parte em que fala da infância de consumo. Isso me chamou a atenção porque um pouco antes tinha ido na festa de aniversário da minha afilhada e fiquei impressionada com o comportamento das crianças (vou falar disso mais adiante). Quando li a descrição da perda de autoridade dos adultos e do enfraquecimento dos laços familiares, lembrei-me da falta de laços afetivos do livro 1984. Assim como as pessoas de 1984 gastavam a maior parte do seu tempo com o partido, hoje, dedicamos boa parte de nossas vidas ao consumo e às formas de garanti-lo. O partido, ou, no nosso caso, o consumo, concentra a afetividade, as emoções. As relações humanas estão um tanto esvaziadas. Acho que vale a pena ler este trecho do Bauman sobre isso:
“ A alma da criança está sitiada’, sugere Kiku Adatto. As pressões financeiras de um mercado de consumo amplo e invasivo tornaram um único salário insuficiente para sustentar uma família com filhos; 67% das crianças americanas são criadas em famílias de dupla renda e se transformam em latchkey kids [crianças que ficam muito tempo em casa sem os pais] que passam a maior parte do tempo em que não estão na escola sozinhos ou na companhia de outras crianças. Os vínculos familiares se afrouxam num ‘dia normal de trabalho’. São ainda mais minados e enfraquecidos pela inversão da autoridade e da estrutura de comando resultante do fato de que as crianças se tornaram especialistas em matéria de compras e assumiram o direito de tomar decisões a esse respeito (e comprar, permitam-me lembrar, é uma atividade mediadora de praticamente todos os aspectos da família e da vida de seus membros individuais” (BAUMAN, 2009 p 149)
Isso não lembra 1984? As crianças crescem mais em contato com a televisão do que com os pais. Muitos pais trabalham muito para garantir seu padrão de consumo, e mais do que isso para manter-se socialmente. Não é culpa deles, vivemos em um mundo acelerado, liquido, em constante mudança que exige a contínua aquisição de produtos, conhecimentos úteis e etc. para sermos aceitos socialmente. Grande parte das pessoas não trabalha para sobreviver, mas sim para seguir as exigências da sociedade consumista. Enquanto isso, as crianças são criadas na companhia da televisão, têm uma ligação afetiva com as grandes marcas. São bombardeadas com propagandas que associam a felicidade ao brinquedo X ou à roupa Y, que caracterizam as crianças quase como pequenos adultos. Pude ver isso no aniversário da minha afilhada. Havia meninas de 10, 11 anos, com as quais não se podia falar em brincar, conversando como adolescentes, falando dos ídolos da TV, de sapatos e de roupas. Mas foi só aparecer uma bola para que a criançada saísse brincando bem feliz. Percebi que aquela postura não era delas, era a reprodução do que viam na televisão. Será que vale tudo para vender um produto? até mesmo fazer com que crianças que deveriam brincar e aprender preocupem-se em ter o produto da moda?
Se você acha que estou exagerando veja o filme "Criança a Alma do Negócio" que segue abaixo.
Se você acha que estou exagerando veja o filme "Criança a Alma do Negócio" que segue abaixo.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
A Poesia que deu nome ao blog
Adorei a poesia "Catando os cacos do caos" de Affonso Romano de Sant'Anna. Quando li, logo pensei que tinha achado o nome perfeito para o meu blog. Então segue abaixo a poesia:
Catando os cacos do caos
Catar os cacos do caos
como quem cata no deserto
o cacto
- como se fosse flor.
Catar os restos e ossos
da utopia
como de porta em porta
o lixeiro apanha
detritos da festa fria
e pobre no crepúsculo
se aquece na fogueira erguida
com os destroços do dia.
Catar a verdade contida
em cada concha de mão,
como o mendigo cata as pulgas
no pêlo
- do dia cão.
Recortar o sentido
como o alfaiate-artista,
costurá-lo pelo avesso
com a inconsútil emenda
à vista.
Como o arqueólogo
reunir os fragmentos,
como se ao vento
se pudessem pedir as flores
despetaladas no tempo.
Catar os cacos de Dionisio
e Baco, no mosaico antigo
e no copo seco erguido
beber o vinho
ou sangue vertido.
Catar os cacos de Orfeu partido
pela paixão das bacantes
e com Prometeu refazer
o fígado
- como era antes.
Catar palavras cortantes
no rio do escuro instante
e descobrir nessas pedras
o brilho do diamante.
É um quebra-cabeça?
Então
de cabeça quebrada vamos
sobre a parede do nada
deixar gravada a emoção
Cacos de mim
Cacos do não
Cacos do sim
Cacos do antes
Cacos do fimNão é dentro
nem fora
embora seja dentro e fora
no nunca e a toda hora
que violento
o sentido nos deflora.
Catar os cacos
do presente e outrora
e enfrentar a noite
com o vitral da aurora.
Affonso Romano de Sant'Anna
Poema retirado de: http://www.casadobruxo.com.br/
Catando os cacos do caos
Catar os cacos do caos
como quem cata no deserto
o cacto
- como se fosse flor.
Catar os restos e ossos
da utopia
como de porta em porta
o lixeiro apanha
detritos da festa fria
e pobre no crepúsculo
se aquece na fogueira erguida
com os destroços do dia.
Catar a verdade contida
em cada concha de mão,
como o mendigo cata as pulgas
no pêlo
- do dia cão.
Recortar o sentido
como o alfaiate-artista,
costurá-lo pelo avesso
com a inconsútil emenda
à vista.
Como o arqueólogo
reunir os fragmentos,
como se ao vento
se pudessem pedir as flores
despetaladas no tempo.
Catar os cacos de Dionisio
e Baco, no mosaico antigo
e no copo seco erguido
beber o vinho
ou sangue vertido.
Catar os cacos de Orfeu partido
pela paixão das bacantes
e com Prometeu refazer
o fígado
- como era antes.
Catar palavras cortantes
no rio do escuro instante
e descobrir nessas pedras
o brilho do diamante.
É um quebra-cabeça?
Então
de cabeça quebrada vamos
sobre a parede do nada
deixar gravada a emoção
Cacos de mim
Cacos do não
Cacos do sim
Cacos do antes
Cacos do fimNão é dentro
nem fora
embora seja dentro e fora
no nunca e a toda hora
que violento
o sentido nos deflora.
Catar os cacos
do presente e outrora
e enfrentar a noite
com o vitral da aurora.
Affonso Romano de Sant'Anna
Poema retirado de: http://www.casadobruxo.com.br/
Por que eu fui fazer um blog?
Para falar a verdade, não sei muito bem porque resolvi criar um blog. Ás vezes lia alguma coisa sobre um assunto e pensava: "Seria legal escrever sobre isso". Até tinha algumas idéias do que escrever, mas tudo acabava em muitos inícios sem fim. Minha expectativa é que eu me anime a escrever (nem que eu seja a única leitora) sobre o que acho interessante. Confesso que estou um pouco receosa, mas, de qualquer forma, agora está feito, não tem volta. Por isso coloco algo que escrevi pensando nisso:
Sou um rio. Minhas idéias e sentimentos precisam movimentar-se para ganharem vida. Precisam atravessar-me, ir de afluente a afluente até chegar ao mar. Mas há uma represa nesse rio. Apesar disso, as águas não estão paradas; parece que têm vida própria. Revoltam-se contra o muro, buscam fissuras e rachaduras e jorram em busca do mar.
Acho que este blog é uma dessas rachaduras.
Sou um rio. Minhas idéias e sentimentos precisam movimentar-se para ganharem vida. Precisam atravessar-me, ir de afluente a afluente até chegar ao mar. Mas há uma represa nesse rio. Apesar disso, as águas não estão paradas; parece que têm vida própria. Revoltam-se contra o muro, buscam fissuras e rachaduras e jorram em busca do mar.
Acho que este blog é uma dessas rachaduras.
Assinar:
Comentários (Atom)

